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Permita-se Sonhar

​Anos antes de trabalhar na Aldeia da Fraternidade, eu já era voluntária na organização. Quando precisei começar meu projeto final de graduação, não tive dúvidas sobre algumas coisas: queria que fosse na área de design social para iniciar meus estudos nesse campo, desenvolvê-lo com a Aldeia e trabalhar com design de estampas, que era uma das minhas paixões na época. Na minha universidade, também era obrigatório elaborar um plano de negócios.

Ao reunir tudo isso, criei um estúdio de design social que vendia artigos de papelaria estampados e trabalhava para promover ONGs usando o design de superfície como ferramenta. Coleções exclusivas eram criadas com estampas que traduziam sonhos, sentimentos e histórias. Além disso, parte dos lucros era destinada ao apoio financeiro dessas organizações parceiras.

Ano: 2017
Palavras-chave: Design de Serviços • Empreendedorismo Social • Design de Superfície • Cocriação • Narrativa

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Estampas com propósitos

O processo do meu projeto final durou cerca de dois anos, divididos entre etapas teóricas e práticas. Após selecionar sete crianças para participar, com idades entre seis e quinze anos, organizei diversos encontros com elas para criar um vínculo: conversas informais, entrevistas, questionários, acompanhamentos e a criação de painéis de inspiração com o objetivo de compreender a personalidade, os sentimentos e, principalmente, os sonhos de cada uma. A meta era criar uma linha de estampas que representasse cada uma delas, bem como coleções que simbolizassem os espaços da própria Aldeia.
 

Alguns dos seus sonhos: conhecer o oceano, ser violinista, ser um dinossauro, ser chef de cozinha e ser uma fada.

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Após validar as referências e os estímulos visuais, concentrei-me na criação das estampas: desenhei os elementos e as paletas de cores, criei as repetições, desenvolvi protótipos digitais nos produtos e produzi peças físicas para testar os tecidos. Validei com o público-alvo selecionado quais estampas eles preferiam. Criei mais de 80 estampas e, por fim, selecionei 44 estampas para a coleção final.

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O nome da coleção, "Permita-se Sonhar" veio da ideia de que  apesar da situação de vulnerabilidade, as crianças se permitem sonhar todos os dias. Para a "venda final" dos produtos no ateliê, foram criadas etiquetas com pequenas pulseiras, acompanhadas de uma foto e um poema representando cada criança, para que o consumidor final pudesse entender a origem da inspiração. Cada aluno recebeu um produto físico e, para a universidade, deixei como legado um livro de estudos de caso com os 80 padrões criados, além de uma pasta contendo todos eles em tecido e papel, documentando os experimentos que realizei.

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